Município investe mais de 120 mil euros na valorização dos Caminhos de Santiago no concelho de Braga
Segunda-feira , Julho 6 2020 Periodicidade Diária nº 2504
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Município investe mais de 120 mil euros na valorização dos Caminhos de Santiago no concelho de Braga

Está em curso uma empreitada de valorização dos Caminhos de Santiago no Concelho de Braga promovida pela Câmara Municipal. Um investimento superior a 120 mil euros que contempla limpeza, pavimentações, instalação de mobiliário de apoio, criação de passagem para peões e a instalação de sinalética temática, posicional, direccional, informativa e interpretativa. Mais de 75 caminhos, ruas, travessas e avenidas de 15 freguesias estão a ser intervencionadas oferecendo mais segurança, comodidade e informação aos peregrinos que percorrem estes caminhos de peregrinação a Santiago de Compostela numa iniciativa de valorização deste importante património material e imaterial que une Braga a Santiago de Compostela. Trata-se de um investimento de verbas próprias do município numa aposta clara em dinamizar e promover este importante activo religioso, cultural, mas também turístico e económico.

Para o presidente da Câmara, Ricardo Rio, “este é um investimento que efectuamos com verbas próprias pois a valorização do Caminho de Santiago em Braga é um dos objectivos a atingir para darmos o exemplo a outros Municípios da preservação, dinamização e promoção do Caminho Português a Santiago. Estamos empenhados sobretudo em promover e sensibilizar as pessoas a iniciarem o Caminho em Braga, mas também valorizamos quem chega a Braga seja pelo antigo caminho central que vem do Porto por Escudeiros seja pelo caminho de Torres que se inicia em Salamanca e entra em Braga na Falperra. O Caminho de Santiago é um património com importância religiosa cultural e turística que importa estimar e sustentar, onde Braga tem uma importância que queremos enaltecer com o foco de estreitar as ligações entre estes dois importantes centros políticos, religiosos e económicos que são Braga e Santiago de Compostela”.

Recentemente realizou-se uma reunião entre a Câmara Municipal, representada pelo vereador Miguel Bandeira e António Barroso, adjunto do presidente da Câmara, e representantes das Juntas de Freguesia com o objetivo de articular as intervenções a efectuar no terreno, mas também para se prepararem futuras actividades de informação e sensibilização dos bracarenses para a causa jacobeia. Fundamental também neste trabalho é a colaboração da associação nacional de peregrinos ‘Espaço Jacobeus’ sediada em Braga e quem tem sido um parceiro ativo e primordial na valorização destes importantes caminhos de peregrinação.

“Estamos perante um conjunto de intervenções focadas no Caminho de Santiago, mas que também ficam à disposição dos bracarenses para usufruírem e também saberem aproveitar oportunidades que os fluxos gerados por estes itinerários podem gerar a nível de diversas atividades sociais e económicas. Se existe o desiderato de colocar o Caminho Português nos seus vários itinerários ao nível do caminho francês em Braga estamos a dar passos firmes nesse sentido”, referiu Ricardo Rio.

Caminhos de peregrinação a Santiago de Compostela no concelho de Braga

Sabe-se historicamente que a cidade de Braga foi local estratégico de passagem daqueles que rumavam a norte em peregrinação a Santiago de Compostela.

Sustentados em documentação e provas fossilizadas no terreno, bem como, na memória das populações atuais, pelo menos dois percursos se encontrão testemunhados para se chegar à Sé Catedral bracarense, esta também objeto de peregrinação ou visita obrigatória para crentes. Os que vindos de Sul, com passagem pelo Porto, chegavam a Braga, percorriam o caminho principal que, ainda hoje, atravessa longitudinalmente o território português. Este percurso, apoia-se directamente no traçado estabelecido pela antiga Via Romana XVI que, à época, ligava Bracara Augusta a Olissipo, posteriormente integrado nas Estradas Reais n.º 1 e n.º 2 e mantido até à atualidade sem alterações substanciais. Com a construção, no decurso da Idade Média, da ponte sobre o Rio Cávado, em Barcelos, este itinerário, que constituiu originalmente a principal rota do caminho português a Santiago de Compostela, iria ser preterido por um outro, que encurtando em distância permitia ao caminhante chegar, de um modo seguro, a Santiago de Compostela. Referência, obviamente, ao atualmente denominado Caminho Central português.

Outro itinerário estratégico dos caminhos, que passando por Braga, se dirigiam a Santiago de Compostela, é aquele conhecido por ‘Caminho Torres’ e cujo nome homenageia D. Diego de Torres Villarroel que, em 1737, seguindo uma rota proveniente da região central Ibérica, o documentou pormenorizadamente. Atravessando o território vimaranense, e entrando por sudeste em Braga, este percurso, à semelhança do anterior, assenta directamente em muitos dos segmentos de uma antiga via romana, a XIV do Itinerário Antoniano, que então ligava esta cidade à antiga Emérita Augusta, constituindo uma alternativa viável ao Caminho de Santiago da Prata.

A partir de Braga existiriam duas rotas possíveis, também com origem em traçados de vias romanas, a Via XIX (Braga/Astorga, com passagem por Ponte de Lima) percurso mais curto e mais seguro, e uma outra alternativa viável utilizando a Via XVIII ou via Nova (Braga Astorga, com passagem por Orense), este com um traçado mais sinuoso e acidentado.