Melhor doutoramento do mundo em alvenaria é da UMinho
Sexta-feira , Julho 10 2020 Periodicidade Diária nº 2508
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Melhor doutoramento do mundo em alvenaria é da UMinho

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Susana Moreira, ex-aluna da Universidade do Minho, foi recentemente distinguida com o prémio “Melhor Dissertação de Doutoramento”, atribuído pela “The Masonry Society” (EUA). É a primeira cientista portuguesa a receber este galardão em mais de 20 anos de existência. A “The Masonry Society” assume-se como a principal organização mundial dedicada à ciência e arte da alvenaria.

Esta distinção visa destacar a contribuição de jovens investigadores no domínio da construção em alvenaria – assentamento de blocos, pedras ou tijolos através de argamassa. “Para além de representar uma grande conquista pessoal, o prémio contribui para o reconhecimento internacional da qualidade da investigação desenvolvida na UMinho, em particular no Instituto para a Sustentabilidade e Inovação em Estruturas de Engenharia”, diz Susana Moreira, de 31 anos.

O galardão deve-se ao trabalho “Seismic retrofit of masonry-to-timber connections in historical constructions”, sob orientação de Luís Ramos e Daniel Oliveira, professores da Escola de Engenharia da UMinho. Aborda de forma pioneira o comportamento sísmico da ligação entre as paredes de alvenaria e os pavimentos de madeira em edifícios antigos construídos principalmente durante o século XIX e o início do século XX.

No âmbito desta tese de doutoramento premiada, foram desenvolvidos protótipos de reforço de ligações, testados em laboratório de forma a propor métodos de dimensionamento para engenheiros projetistas. “A investigação foi motivada pela necessidade de diminuir a vulnerabilidade sísmica de construções antigas de alvenaria e, também, por se ter verificado que ligações débeis podem afetar a estrutura de monumentos históricos e comprometer a sua segurança”, realça Susana Moreira.

Prevenção de sismos em edifícios antigos

A médio prazo, estas soluções poderão ser aplicadas em Portugal. “Apesar de ainda serem necessários estudos complementares, é expectável que as ligações reforçadas melhorem a resposta sísmica dos edifícios antigos, mitigando os efeitos nefastos de eventuais sismos e atuando, consequentemente, na proteção de vidas humanas e na diminuição de perdas económicas”, acrescenta a investigadora. Os próximos estudos passarão por analisar a influência das ligações não reforçadas e reforçadas na resposta global da estrutura.

Susana Moreira é natural de Vila Real. Formou-se em Engenharia Civil na Universidade do Porto, tendo realizado na UMinho um mestrado avançado em análise estrutural de monumentos e construções históricas (SAHC). Já colaborou com várias empresas do setor da construção, como a Mota-Engil e Projenor. É desde abril de 2016 professora da Pontifícia Universidade Católica do Perú, país conhecido pela sua elevada atividade sísmica.