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XIX Colóquio de Outono traz uma centena de especialistas à UMinho

O Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho (CEHUM) organiza de quarta a sexta-feira, dias 18 a 20, o XIX Colóquio de Outono, subordinado ao tema ‘No princípio era a palavra: O lugar das humanidades’. O evento, que assinala os 500 anos da Reforma Luterana, reúne uma centena de oradores de vários países.

A sessão de abertura é às 9h00, no auditório B1 do campus de Gualtar, Braga, com o pró-reitor para os Novos Projetos de Ensino, Filipe Vaz, o presidente do Instituto de Letras e Ciências Humanas, João Cardoso Rosas, o diretor do CEHUM, Orlando Grossegesse, e a diretora do Centro de Investigação em Ciência Política, Sílvia Camões. Segue-se a conferência ‘A questão da identidade no recrutamento e radicalização jihadista’, por Maria do Céu Pinto, da Escola de Economia e Gestão da UMinho. Pelas 11h00 decorre a palestra ‘Religion as a Framework for the Construction of Cultural Identity in an Age of Uncertainty’, pelo professor sírio Bassam Tibi, com comentários da diretora do Instituto Goethe Portugal, Cláudia Hahn-Raabe, além de Maria do Céu Pinto e Orlando Grossegesse.

Ao longo dos três dias destacam-se também as sessões plenárias ‘Christian imaginary in the remembrance of Flight and Expulsion at the End of World War II’, por Júlia Garraio, da Universidade de Coimbra (dia 18, às 14h00); ‘Da subversão à submissão: a domesticação do texto como legitimação da ordem patriarcal’, por Teresa Toldy, da Universidade Fernando Pessoa (dia 18, às 16h45); ‘No princípio era a travessia’, pelo escritor timorense Luís Cardoso (dia 19, às 14h00); e ‘A língua como património: desafios de preservação na era digital’, por Ana Paula Banza, da Universidade de Évora (dia 20, às 10h00).

Na quarta-feira, o painel ‘Religião no contexto de perseguição e fuga’ junta, a partir das 14h45, especialistas para abordar temas como os campos de concentração de Auschwitz, os refugiados e os discursos de ódio na internet. O programa prevê ainda na quinta-feira, às 18h30, a apresentação da publicação ‘A cosmologia chinesa numa visão comparada’, de João Marcelo Martins, do CEHUM, e na sexta-feira, às 12h00, uma homenagem a Vítor Aguiar e Silva, professor catedrático emérito da UMinho e uma referência nos estudos da literatura.

Num momento em que as interrogações sobre as dinâmicas religiosas se adensam, muitas vezes em consequência da desilusão face às práticas estabelecidas, esta 19ª edição do Colóquio de Outono associa-se às comemorações dos 500 anos da Reforma Luterana, que abalou as estruturas do catolicismo, originou o protestantismo e contribuiu para o nascimento de outras religiões. “No século XVI, foi o desejo de regressar à raiz de uma fé original que fez realçar o princípio da palavra sagrada como única fonte de fé. A ideia de possibilitar o acesso direto a esta palavra resultou em inúmeras traduções da Bíblia, sendo o caso mais paradigmático o de Martinho Lutero, que traduziu as Escrituras para o alemão”, diz a docente Micaela Rámon, envolvida na organização do evento.

“Tal como a religião, as humanidades visam valores acima do utilitário, as artes desencadeiam sensibilidades e as línguas permitem a comunicação entre os povos e contribuem para potenciar e compreender a aquisição e transmissão de conhecimentos, uma dimensão muitas vezes colocada em conflito com a própria religião. Este congresso anual propõe uma reflexão aprofundada em torno da procura de respostas no campo das humanidades”, acrescenta.

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