UMinho assinala Crise Académica de 1969 com exposição e quatro livros
Sexta-feira , Novembro 15 2019 Periodicidade Diária nº 2270
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UMinho assinala Crise Académica de 1969 com exposição e quatro livros

O Conselho Cultural da Universidade do Minho, através da comissão do “Prémio Victor de Sá de História Contemporânea”, apresenta no mês de novembro, no Largo do Paço, em Braga, uma exposição e quatro livros sobre a Crise Académica de Coimbra, que há 50 anos abalou o regime do Estado Novo. Todos os eventos são de entrada livre.

A mostra “A Crise Académica de 1969: Memórias” vai ser inaugurada no dia 8 de novembro, às 18h00, na sala dos arcos da Galeria do Paço. A iniciativa inclui a apresentação do livro homónimo, com o seu autor e curador da exposição, José Veloso. Este bracarense de 72 anos estudou em Coimbra e reuniu na obra quase 150 imagens da secção fotográfica da Associação Académica de Coimbra (AAC), que na altura foi uma espécie de redação.

Pode aí ver-se a recusa das autoridades em dar a palavra ao presidente da AAC, os cartazes de protesto, as assembleias magnas, a greve aos exames, a cidade ocupada pela GNR, o simbolismo das flores entregues à população e do lançamento de balões e as mensagens na final da Taça de Portugal. A contextualização da sessão cabe a Viriato Capela, professor catedrático de História da UMinho.

A 13 de novembro, também às 18h00, é divulgado o livro “O processo”, de Gualberto Freitas, vimaranense de 59 anos, que aborda o processo instaurado a quarenta ativistas estudantis e agrega ainda inúmeros documentos de há meio século (comunicados, folhetos, boletins, posters, caricaturas, imagens). Os comentários ficam a cargo de José Manuel Lopes Cordeiro, professor do Instituto de Ciências Sociais da UMinho. No dia 20 é a vez da obra “Peço a palavra”, de Alberto Martins, que presidiu à AAC em 1969 e vai explicar o que então se viveu. Este vimaranense de 74 anos foi mais tarde ministro da Reforma do Estado, da Administração Pública e da Justiça. A análise daquela publicação conta com Wladimir Brito, professor da Escola de Direito da UMinho.

Já no dia 27 de novembro, às 18h00, é lançado o livro de testemunhos “Bracarenses na Crise Académica de 1969”, por Luís Reis Torgal, professor catedrático da Universidade de Coimbra e ex-diretor das revistas “História das Ideias” e “Estudos do Século XX”, prevendo-se a presença dos autores dos testemunhos. Este volume é editado no âmbito do “Prémio Victor de Sá de História Contemporânea”, o principal galardão nacional para jovens investigadores da área, devendo o vencedor da sua 28ª edição ser anunciado em dezembro. O patrono do prémio, o historiador Victor de Sá (1921-2003), licenciou-se em Coimbra, foi preso nove vezes pela PIDE e, recém-doutorado pela Sorbonne (França), concedeu uma entrevista aquando da Crise Académica, intitulada “Para uma verdadeira cultura nacional”, que este ano foi encontrada na coleção “Textos para discussões”, da AAC, dedicada à situação então vivida na universidade portuguesa.

Este programa evocativo insere-se na preparação do centenário do nascimento de Victor de Sá. No âmbito dos 50 anos da Crise Académica, a UMinho já tinha promovido em abril e maio passado um conjunto de eventos em Braga (tertúlias, debates, concertos, poesia, livro, exposição), numa parceria com a Fundação Bracara Augusta, a Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva e a associação Civitas Braga.

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