Procissão do ‘Ecce Homo’ traz anualmente milhares de pessoas a Braga
Quinta-feira , Novembro 21 2019 Periodicidade Diária nº 2276
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Procissão do ‘Ecce Homo’ traz anualmente milhares de pessoas a Braga

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Como já é tradição, a procissão do ‘Ecce Homo’ abriu esta quinta-feira com os Farricocos e Fogaréus. Foram milhares de pessoas que assistiram à procissão, inclusive pessoas vindas do estrangeiro, especialmente da vizinha Espanha.

A procissão do Senhor ‘Ecce Homo’ é uma das tradições mais antigas da Santa Casa da Misericórdia e em 2004 foram introduzidos alguns quadros alusivos à história da Misericórdia e à vivência das 14 obras de Misericórdia, com pinturas sobre tela. Os irmãos da Santa Casa da Misericórdia vestem uma opa negra e seguram uma tocha acesa na mão e muitos figurantes representam cenas evangélicas da vida de Jesus Cristo e dos Apóstolos. O único andor da procissão é do ‘Ecce Homo’, em latim ‘Eis o Homem’, quando foi entregue a Pilatos há mais de 2000 anos, conhecido também como o Senhor da Cana Verde. No fim da procissão, o Prelado leva a relíquia da verdadeira Cruz onde Jesus Cristo foi crucificado, conhecida como Santo Lenho.

“A procissão do ‘Ecce Homo’ teve a sua origem em finais do século XVI, princípio do século XVII e começa por ser uma procissão penitencial. Era uma procissão em que se integravam os chamados pecadores públicos, que se tornavam penitentes públicos durante a quaresma e que na quinta-feira santa eram perdoados, eram concedidos a indulgência ou a misericórdia que era o perdão dos pecados e eram reintegrados na Igreja. Esse é o significado ainda hoje dos Farricocos e Fogaréus que, nesse tempo recuado, andavam a chamar essas pessoas, penitentes e pecadores públicos para se integrarem na procissão e para receberem o perdão público. O significado essencial desta procissão é a ideia da misericórdia, da indolênca e da ideia do reconhecimento que se passou com Jesus na quinta-feira à noite antes de ser condenado à morte.”, contou o Cónego Jorge Coutinho, presidente da Comissão da Semana Santa de Braga.

Bernardo Reis, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Braga, referiu que a Misericórdia de Braga, desde a sua fundação, tem vindo sempre a realizar esta procissão que é realizada exclusivamente pela Irmandade e Santa Casa da Misericórdia de Braga. “A Misericórdia tem toda a honra em preparar e programar para que realmente seja um dos eventos litúrgicos mais importantes da cidade de Braga porque cada vez mais a influência é maior. A procissão tem um trabalho muito grande e deve-se realmente à grande atividade e, por vezes, ao sentido de organização que é lançado por pessoas que a põem em marcha, destacando-se alguns elementos que tratam da logística da procissão. É uma procissão de um cariz fortemente religioso e nota-se que as pessoas assumem cada vez mais responsabilidade no sentido de manterem um silêncio absoluto quando a procissão decorre ao longo das ruas da cidade e é nesse sentido que nós procuramos trabalhar.”, concluiu o provedor.

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