Necessidade de trabalho em rede na cultura marcou debate da Braga+
Segunda-feira , Setembro 23 2019 Periodicidade Diária nº 2217
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Necessidade de trabalho em rede na cultura marcou debate da Braga+

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Decorreu, esta quarta-feira à noite, o debate “Braga, Cidade de Cultura?”, organizado pela Associação Braga+ e que contou com mais de oito dezenas de pessoas na plateia do Auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva.

Esta sessão, que procurava fazer um diagnóstico geral da aposta e oferta cultural em Braga, ficou marcada pela vontade em criar redes no sentido de todos os stakeholders na cultura, sejam profissionais ou amadores, trabalharem mais em cooperação.

O debate começou com a intervenção de Cláudia Leite, administradora do Theatro Circo, explicando sobretudo o trabalho que tem sido desenvolvido naquele local, lamentando que durante três anos tenha sido obrigada a desviar o foco para o “problema com o visto do Tribunal de Contas e a discriminação negativa dos apoios estatais em comparação com outras estruturas do género”. Em relação ao futuro do Theatro considerou que “é preciso apostar na formação de públicos e no projeto educativo” pois “muitos anos com o Theatro em obras contribuiu para muitas pessoas perderem o hábito de ver cá eventos, algo que está a mudar”.

Já Helena Pereira, curadora da Shairart, procurou demonstrar que Braga e a região é um território de oportunidades para a arte contemporânea pois “ainda há muito por desenvolver a este nível, sendo a Shair um passo na democratização e acesso ao mercado para os artistas, ajudando também a divulgar os seus trabalhos.” Defendeu, também, que é necessário que os espaços culturais comuniquem mais com a cidade para colocar os turistas e os habitantes a consumir cultura espontaneamente já que as pessoas “estão a perder competências básicas de sociabilidade”, considerou.

Na intervenção de Manuel Gama, investigador na Universidade de Minho, ficou patente a necessidade de perceber os públicos dos eventos culturais, perceber “quem são, de onde veem, o que pretendem e materializar esses dados em estudos aprofundados sob o ponto de vista científico mas sobretudo que nos possam dar conclusões práticas a implementar no território e trazer o esperado retorno”. Também considerou importante envolver o associativismo na programação, alertando que este “não se pode confundir com a programação profissional que é muito importante e que precisa de regularidade e continuidade para se afirmar”.

A sessão prosseguiu com Luís Tarroso Gomes a explicar o surgimento da Velha-a-Branca como projeto privado e independente e porque conseguiu ter tanto sucesso afirmando que “é possível surgirem projetos culturais independentes, de baixo custo e autossustentáveis” numa clara demonstração de que com pouco se pode fazer um espaço cultural de sucesso. Considerou, também, que falta em Braga um espaço que possa acolher grandes exposições e outro que possa receber espetáculos de média dimensão mais alternativos, vocacionado para os projetos ou associações de criação e programação cultural, “uma espécie de complemento ao Theatro Circo” dando a Confiança e o São Geraldo como locais para colmatar essas lacunas.

A última intervenção da primeira parte do debate pertenceu a Miguel Ramos, programador do Cineclube Aurélio da Paz dos Reis, que considerou que em Braga não há assim tão falta de espaços e que o lugar para a cultura não é o mais importante. Alertou que “Braga tem de dar o salto na criação artística, é preciso criar cá, conseguir cativar e fixar artistas locais ou de fora na cidade”, rematou.

O debate prosseguiu com intervenções do público, onde estavam vários representantes de entidades culturais do concelho e de onde partiram alertas para a necessidade de reunir mais vezes os agentes culturais para trabalhar em rede, para a dificuldade em trabalhar com o Município em projetos diferentes e alternativos e para a eventual falta de espaços para esses projetos, onde o tema São Geraldo voltou a surgir. A sessão terminou já perto da uma da manhã com o presidente da Braga+, Luciano Duarte, a considerar que a hora tardia revela que a importância e pertinência destes debates não se esgota, garantindo que ainda muito ficou por discutir, ficando em aberto a possibilidade de mais sessões sobre este tema.

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