Câmara Municipal vende Fábrica Confiança por 4 milhões de euros
Domingo , Setembro 16 2018 Periodicidade Diária nº 1845
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Câmara Municipal vende Fábrica Confiança por 4 milhões de euros

O Município de Braga vai apreciar na reunião do Executivo, que se realiza na quarta-feira, 19 de setembro, a proposta relativa à alienação do edifício da Fábrica Confiança por quatro milhões de euros.

De acordo com um comunicado enviado à Comunicação Social, a Câmara Municipal alega não ter acesso a “qualquer financiamento comunitário para promover a reabilitação do imóvel”, sendo que as verbas disponibilizadas para esta componente no atual Quadro Comunitário “não chegaram para comportar os investimentos realizados (e a realizar) no Forum Braga e no Mercado Municipal”.

“Perante um grande volume de projetos que Braga tem em curso, fundamentais para o concelho e para a qualidade de vida dos bracarenses, não teríamos recursos suficientes e necessários para intervir na Fábrica Confiança, condenando assim o edifício a uma acelerada degradação que poria em causa a sua preservação futura e teria efeitos nefastos na envolvente”, sustenta o presidente da Câmara Municipal, Ricardo Rio, reforçando que “daí que a opção sempre equacionada para estas circunstâncias passe pela alienação do imóvel, permitindo que o investimento privado possa concretizar o que a esfera pública não consegue”.

A Câmara aponta ainda que “esta foi, aliás, uma opção politicamente legitimada no último ato eleitoral, visto que o programa apresentado pelos candidatos da coligação ‘Juntos por Braga’ expressava taxativamente que se procederia a uma análise sobre o futuro da antiga Saboaria e Perfumaria Confiança, tomando uma decisão definitiva sobre as suas oportunidades de reabilitação ou a sua alienação com vista ao financiamento de outras iniciativas culturais e patrimoniais, mas sempre com a salvaguarda dos valores arquitetónicos e a criação de núcleo museológico da fábrica original”.

O Caderno de Encargos executado por técnicos especializados do Município de Braga, que suporta a proposta agora formalizada pelo Executivo Municipal, visa garantir diversos objetivos ao nível da “salvaguarda patrimonial, da preservação da memória industrial da Fábrica Confiança, do enquadramento urbanístico, dos fins legitimados para o local e do impacto na zona envolvente”.

Classificada que está em PDM a mancha de implantação da Fábrica Confiança como «Área de Equipamentos»,  Ricardo Rio explica que “assim se manterá, não havendo qualquer alteração a esta classificação para efeitos de reabilitação e intervenção daquele edifício”.

O presidente do Executivo Municipal acredita que aquele pode e deve ser, a breve prazo, “um novo espaço para Braga, reabilitado, que crie uma nova centralidade naquela zona da cidade, em que será possível fazer a ligação ao Complexo Desportivo da Rodovia, à Universidade do Minho, ou até ao centro da cidade”.

O Município vai mais longe, afirmando que “não contou com qualquer contributo da Junta de Freguesia de S. Victor, apesar de o mesmo ter sido solicitado, de forma expressa, no final do mês de julho último” e que só “entendeu informar a Câmara Municipal na semana passada da sua oposição a esta alienação e da promoção de um debate para identificar estratégias alternativas, o que foi considerado extemporâneo pelo Executivo Municipal, face à decisão já tomada de avançar com a proposta de alienação”.

Autarquia Local, Oposição e Associações contra a venda da Confiança

A venda da Fábrica Confiança levou a que a Junta de Freguesia de S. Victor, os partidos de oposição e várias associações de Braga se unissem, levando à realização de um debate público e de uma petição pela não alienação, que conta com 463 assinaturas.

A associação ‘Braga Mais’ vem relembrar a compra da Fábrica Confiança no ano de 2012, executivo liderado por Mesquita Machado, altura em que Ricardo Rio estava na oposição e “defendia a valorização da Confiança para fins relacionados com a preservação da memória industrial bracarense, aproveitar a sua localização e amplitude para fins culturais e empresariais ligados à Universidade do Minho, numa ótica de regeneração urbana e de aproximar a cidade do campus universitário”.

“Porque motivo o presidente da Câmara mudou de opinião, uma vez que na altura da compra também não havia garantia de fundos comunitários para a sua recuperação? Porque motivo se desistiu tão facilmente de todas as boas intenções quando vemos exemplos bem perto de nós de recuperações low cost deste tipo de infraestruturas? Porque razão na altura da compra era importante envolver a população na discussão das decisões da cidade e hoje já não é?”, questiona a associação, terminando que “não querem perder a Confiança, último exemplar do património industrial da cidade de Braga”.

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