“Braga para Todos” defende a criação de uma Sala de Consumo Assistido na cidade
Terça-feira , Agosto 20 2019 Periodicidade Diária nº 2183
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“Braga para Todos” defende a criação de uma Sala de Consumo Assistido na cidade

O movimento político “Braga para Todos” está preocupado com o aparecimento de seringas com sangue junto à capela de Guadalupe, na freguesia de S.Victor. O movimento, que já denunciou o caso semelhante no Picoto, quer em agenda política a discussão da criação de uma sala de consumo assistido e também mais policiamento na cidade, que consideram ser cada vez mais perigoso à noite.

O “Braga para Todos” está ciente da existência do grave problema de consumo de droga, cada vez mais notório na cidade, e considera que o Município tem de encontrar soluções e comunicar aos bracarenses o plano de ação.

De acordo com o movimento, o presidente da Junta de Freguesia de São Victor, Ricardo Silva,  já expressou a sua preocupação, mas o “Braga para Todos” quer mais ação de Ricardo Rio.

Segundo Cláudia Machado, membro do “Braga para Todos”, a construção de uma Sala de Consumo Assistido, também conhecida por “Sala de Chuto”,  à imagem do que já existe em muitas cidades da Europa, estes espaços iriam tirar as pessoas da rua e impedir que consumam num local sem o mínimo de condições de higiene e de saúde pública, e também que a sua toma diária fosse vigiada por profissionais da área da saúde para evitar casos de morte por overdose. O membro defende, também,  que nessas salas seja feita a troca de kits (que incluem agulha esterilizada, água destilada, um filtro, copo e garrote) onde para receber um novo, entrega-se o antigo.

O movimento está preocupado com o  risco de contaminação por doenças infeciosas e que as seringas deixadas no chão sejam eventual foco de contaminação de outras pessoas, a par da falta de segurança na cidade. “Se as salas de consumo assistido existirem, podem apresentar vários benefícios, como terem uma  equipa de saúde, sendo possível fazer um rastreio da comunidade de toxicodependentes, o que tornará possível acompanhá-los e até mesmo encaminhá-los para tratamento através da naloxona. O nosso país continua a ser um dos que regista menor número de mortes por overdose, mas o Relatório Europeu sobre Drogas de 2018 demonstra que estes óbitos têm vindo a aumentar. As recomendações do Observatório Europeu de Drogas e da Toxicodependência são muito claras e diretas, isto é, os países devem apostar em salas deste tipo e na distribuição de naloxona nestes espaços ou mesmo a nível domiciliário. Os relatórios têm demonstrado bons resultados em relação a esta política de prevenção em Salas de Consumo assistido, tanto assim que já são cinquenta e seis em diversas cidades repartidas por seis países europeus. Portugal tem em Lisboa um exemplo de boas práticas, mas isto por si só não chega, torna-se necessário que cada Município se comprometa com esta causa. Por conseguinte, está na hora de Braga mostrar que quer realmente resolver os verdadeiros problemas dos seus munícipes”, explica Claúdia Machado.

A criação de Salas de Consumo Assistido está prevista na legislação desde 2001 e a lei prevê que sejam as autarquias a tomar a iniciativa e para Cláudia Machado “torna-se necessário entender as Salas de Chuto como uma estratégia de redução de danos, tais como a redução de mortes por overdose, redução de infeções de VIH e redução de novos casos de consumidores, ou seja, se a nível europeu estas medidas estão a ter bons resultados e está legislado, devemos pedir a Ricardo Rio para por em prática a lei, visando ajudar uma parte da sua população e, assim, contribuir assertivamente para a resolução parcial de um dos maiores flagelos da nossa sociedade”.

O presidente da Junta de Freguesia de São Victor manifestou a sua preocupação com esta questão pelo facto de este ser um problema, não só de saúde pública, como também de segurança das áreas residenciais situadas nas proximidades dos locais de consumo.

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